Serviços sob demanda estão reduzindo o download ilegal

Serviços sob demanda estão reduzindo o download ilegal

O que é mais cômodo para buscar um filme na internet: vasculhar a rede atrás do arquivo em algum site ilegal, fazer o download no formato adequado e depois procurar a legenda ou pagar um serviço de vídeo sob demanda?

O mesmo para a música: arriscar baixar um arquivo de baixa qualidade ou assinar algum dispositivo de streaming, que executa canções on-line?

A comodidade pode explicar por que o download ilegal de séries, filmes e músicas tem caído no mundo todo conforme cresce o uso de Netflix, Spotify, Deezer e outras plataformas que oferecem grande acervo de obras ao custo de uma mensalidade.

Aumento do uso de streaming pode estar reduzindo download ilegal no mundo

Não há dados mundiais sobre a queda da pirataria nos últimos cinco anos, período em que serviços de streaming se popularizaram. Mas pesquisas regionais reforçam a tendência em diversos países.

Na Noruega, uma das pioneiras no uso de smartphones e onde a internet é usada por 95% da população, a proporção de jovens com menos de 30 anos que afirmam baixar arquivos ilegais caiu de 80% para 4% entre 2009 e 2014.

No Brasil, que aderiu mais tarde a essas plataformas, houve queda do download ilegal –no caso, na música.

A proporção de pessoas que baixam canções piratas é 36% menor entre quem usa streaming se comparado a quem não usava, segundo levantamento da Opinion Box, plataforma de pesquisa de mercado que ouviu 1.112 pessoas a pedido do Comitê de Desenvolvimento da Música Digital, formado por Deezer, Google, Napster, Rdio e Spotify.

“A comodidade ajuda a explicar essa queda”, diz Leonardo Morel, professor de novas mídias na FGV e pesquisador do impacto da tecnologia na música. “Quem baixa às vezes acaba tendo a dor de cabeça de pegar vírus, de fazer o download do arquivo errado. O streaming facilita.”

TRÊS RAZÕES

A explicação passa pela facilidade e vai além, na opinião de Ronaldo Lemos, diretor do Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio e colunista da Folha. “O consumidor digital quer preço compatível, catálogo amplo e praticidade. O streaming resolve um pouco o primeiro, está começando a resolver o segundo e resolve completamente o terceiro.”

Em 2012, o sistema de buscas do Google passou a retirar de suas primeiras páginas os resultados de pesquisas sobre conteúdo não licenciado. Isso também contribuiu para dificultar o download ilegal, segundo os especialistas.

“Mas ele não vai deixar de existir”, ressalva Mariana Giorgetti Valente, coordenadora de pesquisa do Internet Lab, que estuda direito e tecnologia. “Se um artista quer fechar acordo com um serviço de streaming e não com outro, nada impede que o usuário deste último vá baixar o conteúdo não licenciado.”

A pesquisadora aponta que embora os serviços de música digital vivam boa fase no Brasil, onde já respondem por 37% da receita da indústria fonográfica, o país tem gargalos: a má qualidade dos planos de banda larga, que comprometem a velocidade do streaming, e o baixo uso do cartão de crédito, meio que banca esse tipo de serviço.

Embora haja sinais de algum declínio da ilegalidade no campo da música, o Brasil continua líder mundial em pirataria de séries de TV. Relatório da empresa antipirataria Excipio mostrou que em 2014 os brasileiros fizeram 28,4 milhões de downloads ilegais.

Um relatório da ONG Digital Citizens Alliance, divulgado no começo do ano, mostra também que a pirataria está migrando: dos arquivos baixáveis justamente para o streaming ilegal.

Colaborou GIULIANA DE TOLEDO

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